
Seminário Estadual Faça Bonito 2026

Seminário Estadual Faça Bonito fortalece a rede de proteção e mobiliza o Amazonas no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescente
Especialistas, representantes do poder público, sistema de justiça, empresas e organizações da sociedade civil reuniram-se em Manaus para discutir estratégias de prevenção, fortalecer políticas públicas e ampliar a atuação da rede de proteção à infância e adolescência.
A proteção de crianças e adolescentes exige mais do que indignação diante da violência. Exige diálogo, conhecimento, compromisso e a construção permanente de uma rede capaz de prevenir violações, acolher vítimas e transformar realidades.
Foi com esse propósito que o Seminário Estadual Faça Bonito 2026 reuniu, nos dias 2 e 3 de junho, no Auditório Deputado Belarmino Lins, da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), representantes do poder público, do sistema de justiça, da academia, da iniciativa privada, de organizações da sociedade civil e profissionais que atuam diariamente na garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Realizado pelo Instituto de Assistência à Criança e ao Adolescente Santo Antônio (IACAS), por meio do Projeto Mobilizar e Agir, em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, com o Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (CEVSCA) e a Cáritas, além do apoio da Rede de Enfrentamento da Violência Sexual do Amazonas, o seminário consolidou-se como um dos principais espaços de articulação da rede de proteção no estado.
Integrando as ações da campanha nacional Faça Bonito, realizada anualmente em referência ao 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o encontro foi concebido para fortalecer a atuação conjunta entre instituições, promover a troca de experiências e ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas à prevenção da violência sexual infantojuvenil.

A abertura do seminário reuniu representantes de instituições estratégicas para a garantia dos direitos da infância e adolescência, entre elas o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), Tribunal de Justiça do Amazonas, Ministério Público do Trabalho, Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Fundação de Vigilância em Saúde, Petrobras, Comitê de Participação de Adolescentes e demais órgãos que integram a rede estadual de proteção.
A diversidade dos participantes refletiu uma das principais mensagens do evento: enfrentar a violência sexual contra crianças e adolescentes exige corresponsabilidade. Nenhuma instituição atua sozinha. A proteção acontece quando diferentes setores dialogam, compartilham conhecimentos e constroem estratégias conjuntas.
Ao longo dos dois dias de programação, especialistas de diferentes áreas apresentaram pesquisas, experiências exitosas e propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas, sempre considerando as particularidades da realidade amazônica.
Boas práticas que fortalecem a proteção
A primeira mesa temática apresentou experiências bem-sucedidas desenvolvidas por instituições da rede de proteção, destacando a importância da integração entre assistência social, saúde, educação, segurança pública, Ministério Público e sistema de justiça para garantir atendimento qualificado às vítimas e ampliar as estratégias de prevenção.
As discussões evidenciaram que fortalecer o diálogo entre os diversos órgãos responsáveis pela proteção da infância é um dos caminhos mais eficazes para reduzir a revitimização, qualificar o atendimento e assegurar que crianças e adolescentes tenham seus direitos plenamente garantidos.
Desenvolvimento com responsabilidade social
Um dos diferenciais do seminário foi ampliar o debate para temas que dialogam diretamente com a realidade amazônica.
A mesa dedicada aos impactos de grandes empreendimentos e megaeventos reuniu representantes da Petrobras, ENEVA e o Movimento Amigos do Garantido para discutir a responsabilidade compartilhada na proteção de crianças e adolescentes em contextos de intenso desenvolvimento econômico, cultural e turístico.
O debate reforçou que o crescimento econômico precisa caminhar lado a lado com políticas de proteção, prevenção e responsabilidade social, garantindo que crianças e adolescentes permaneçam no centro das decisões que impactam seus territórios.
Povos originários e a proteção da infância
Outro momento de destaque foi a mesa “Sexualidade, violência e povos originários”, que trouxe reflexões sobre as especificidades enfrentadas por comunidades indígenas e populações historicamente vulnerabilizadas.
As discussões abordaram temas como racismo estrutural, violência sexual em territórios indígenas e proteção plural, ressaltando a necessidade de políticas públicas construídas a partir do respeito às diversidades culturais e às diferentes realidades sociais presentes no Amazonas.

Turismo, exploração sexual e os desafios amazônicos
No segundo dia de programação, a jornalista Luciana Reis conduziu a palestra magna “Quem Lucra? Quem Protege? Como o turismo alimenta redes de exploração”, provocando uma importante reflexão sobre a relação
entre atividades econômicas, turismo e exploração sexual de crianças e adolescentes.
Na sequência, representantes de instituições públicas discutiram estratégias de fiscalização, prevenção e sensibilização voltadas ao setor turístico e ao transporte fluvial, considerando as particularidades da região
amazônica, onde rios e comunidades distantes exigem políticas específicas para garantir proteção integral às crianças e adolescentes.

Exploração e trabalho infantil
A programação também trouxe uma abordagem sobre a exploração sexual como uma das piores formas de trabalho infantil.
Durante a palestra conduzida por Manoel Torquato, os participantes refletiram sobre a necessidade de reconhecer essa grave violação de direitos como um problema que demanda respostas integradas nas áreas da assistência social, educação, saúde, segurança pública e garantia de direitos.
Um debate necessário sobre violência sexual
Encerrando a programação técnica, especialistas do Ministério da Saúde, Conselho Regional de Medicina, psicologia e segurança pública discutiram gravidez na infância e adolescência, estupro de vulnerável e aborto legal.
O debate abordou os impactos físicos, emocionais e sociais da violência sexual, além da importância do atendimento humanizado, da escuta qualificada e da garantia de acesso aos direitos previstos na legislação brasileira para crianças e adolescentes vítimas de violência.
Muito além de um seminário
Mais do que reunir especialistas para discutir desafios, o Seminário Estadual Faça Bonito reafirmou a importância da construção permanente de uma rede de proteção articulada, preparada para prevenir violências, acolher vítimas e promover direitos.
Ao aproximar diferentes instituições em torno de um objetivo comum, o encontro fortaleceu o compromisso coletivo com a infância e a adolescência, demonstrando que proteger exige conhecimento, cooperação e atuação integrada entre Estado, sociedade civil, iniciativa privada e comunidades.
Mais do que um evento, o seminário marcou um novo passo na consolidação das ações do Projeto Mobilizar e Agir, transformando diálogo em estratégias concretas para fortalecer a garantia de direitos no Amazonas.
A ação integra o conjunto de atividades desenvolvidas pelo Projeto Mobilizar e Agir, realizado pelo Instituto de Assistência à Criança e ao Adolescente Santo Antônio (IACAS), em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, reafirmando o compromisso de promover proteção, cidadania e garantia de direitos para crianças, adolescentes e suas famílias em diferentes territórios do Amazonas.































